Redação de Caio Silva Braga, desmontada
Tema: Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira. A tese já divide o texto em dois tempos, passado e presente. O mais curto dos quatro.
Todas as camadas juntas.
- Repertório
- Tese
- Tópico frasal
- Argumento
- Fecho
- Retomada
- Agente
- Ação
- Meio
- Finalidade
- Conectivo
O que é cada marca
- Repertório. Informação de fora do tema (obra, autor, fato, conceito) que sustenta a ideia.
- Tese. A ideia central, o ponto de vista que o texto inteiro defende.
- Tópico frasal. A primeira frase do parágrafo: diz qual argumento ele vai desenvolver.
- Argumento. A explicação que liga o repertório à realidade brasileira.
- Fecho. A consequência da ideia, que prende o parágrafo à tese.
- Retomada. Volta à tese (ou ao repertório do começo) antes da proposta.
- Agente. Quem faz: ministério, governo, escola, família, mídia.
- Ação. O que o agente deve fazer.
- Meio. Como a ação acontece: por meio de quê.
- Finalidade. Para quê: o resultado que a ação busca.
- Conectivo. Palavra ou expressão que liga uma frase à outra e diz a relação entre elas.
Introdução
Um livro indígena serve de ponto de partida. A tese diz que o olhar do livro não é o da sociedade brasileira nem no passado nem hoje, e isso já organiza os dois parágrafos seguintes.
Em “O Karaíba”, o autor indígena Daniel Munduruku traz narrativas dos povos originários no Brasil pré-cabralino. Nessa obra, ele retrata elementos característicos das culturas e dos costumes das comunidades tradicionais, como o respeito aos mais velhos e à sua sabedoria.1 Nesse contexto, é nítido que a perspectiva das personagens do livro não reflete a forma como a sociedade brasileira enxergou o envelhecimento ao longo do tempo, tampouco as tendências mais modernas disso.2
- 1Repertório
- 2Tese
Antes: envelhecer como privilégio
Parágrafo do passado: a Lei do Sexagenário (repertório histórico) e a explicação de por que a lei não era uma conquista.
Historicamente, no Brasil, envelhecer é um privilégio, não um direito.1 Isso é evidenciado por estratégias de manutenção da ordem social implementadas pelas elites, como a promulgação da Lei do Sexagenário – uma das leis pré-abolicionistas, que libertava escravizados maiores de sessenta anos.2 Ao contrário do senso comum, que vê essa medida como uma conquista para eles, a historiografia entende que essa medida não tinha intenções reais de oferecer liberdade a essas pessoas, pois suas expectativas de vida eram baixíssimas.3 Nesse cenário, portanto, envelhecer não era uma oportunidade para todos os brasileiros, mas um privilégio de alguns.4
- 1Tópico frasal
- 2Repertório
- 3Argumento
- 4Fecho
Agora: o idoso como protagonista
Parágrafo do presente: o filme “Vitória” mostra o idoso protagonista. Repare em como “Por outro lado” liga o parágrafo ao anterior.
Por outro lado, correntes contemporâneas de pensamento colocam os idosos e o envelhecimento em outras posições: de enfrentamento ao etarismo, de atividade física e econômica e de engajamento político e social.1 Um exemplo disso é o filme estrelado por Fernanda Montenegro, em 2025, “Vitória”, em que a atriz interpreta uma senhora em uma comunidade periférica no Rio de Janeiro e expõe suas denúncias contra a violência e o tráfico onde vive.2 Sob essa óptica, a figura do idoso deixa um espaço de fragilidade e impotência e passa a assumir protagonismo de sua própria vida.3
- 1Tópico frasal
- 2Repertório
- 3Fecho
Conclusão
Conclusão enxuta: uma frase retoma o tema e a proposta usa um projeto real (Cin-UFPE) como meio.
Dessa forma, tendo em vista as múltiplas perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira1, é necessário que o Ministério da Educação2, por meio de iniciativas de capacitação e autonomia para idosos – como o “projeto envelhecer” do Cin-UFPE, que os ensina a conviver no ambiente digital –3 atue na formação dessas pessoas4 para que resgatem sua independência bem.5
- 1Retomada
- 2Agente
- 3Meio
- 4Ação
- 5Finalidade
O que levar daqui
- Uma tese em dois tempos (passado e presente) já monta o texto: um parágrafo para cada tempo.
- “Historicamente” e “Por outro lado” abrem parágrafos de contraste e mostram o caminho ao leitor.
- Um projeto real (Cin-UFPE) como meio deixa a proposta concreta.
Repertórios usados
- Literatura indígena: “O Karaíba”, de Daniel Munduruku
- História: Lei do Sexagenário
- Cinema: “Vitória” (2025)
Usar o mesmo repertório em outro tema só funciona se ele responder ao seu recorte. Veja a aula de repertório.
O que o Inep escreveu sobre este texto
Comentários oficiais da cartilha, literais, ao lado do trecho a que se referem.
- Tipo textual
Historicamente, no Brasil, envelhecer é um privilégio, não um direito. Isso é evidenciado por estratégias de manutenção da ordem social implementadas pelas elites, como a promulgação da Lei do Sexagenário – uma das leis pré-abolicionistas, que libertava escravizados maiores de sessenta anos.
Comentário do Inep, p. 51
No segundo parágrafo, o argumento centra-se na perspectiva histórica de que envelhecer no Brasil é um privilégio, e não um direito, articulado com a referência à Lei do Sexagenário e à análise historiográfica para desmistificar essa medida como uma conquista real [...]
Agora a sua vez
Escreva a sua redação seguindo o desenho, sem copiar frases. A correção vem por competência, com comentários no trecho e a nota como estimativa com faixa.
Escrever e corrigirOutros textos nota 1000
- Camila Guzatti Vial · Abre com um conceito de demografia, anuncia dois argumentos e fecha com duas ações.
- Heitor Ribeiro Bezerra · Promete “causa e caminhos” na introdução, entrega um em cada parágrafo e volta à personagem no fim.
- Rafael Barros Barbosa · Repertório histórico na abertura, retomado na última frase. Cinema e música nos argumentos.
Fonte: Inep. A redação do Enem 2026: cartilha do participante, p. 50. Texto reproduzido como publicado pelo Inep; a marcação e as observações são do Redaciona.